GOVERNO ANGOLANO PREVÊ CRESCIMENTO DE 5,7% EM 2026, ACIMA DAS ESTIMATIVAS DO FMI

 Luanda: O secretário de Estado para as Finanças e Tesouro de Angola, Ottoniel dos Santos, afirmou à Lusa que o Governo espera um crescimento económico de 5,7% este ano, acima dos 4,4% projetados pelo Fundo Monetário Internacional (FMI).

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‎Fonte: Ang24h 

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‎Num relatório publicado esta semana, o FMI prevê que a economia angolana cresça 4,4% em 2026, numa revisão em alta face às estimativas divulgadas no início do ano, quando apontava para uma expansão de apenas 2,3%.

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‎A instituição estima ainda uma inflação de 10,6% este ano e de 10,2% em 2027, depois de anteriormente ter projetado uma taxa de 12,9%.

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‎Segundo Ottoniel dos Santos, numa entrevista à Lusa durante as reuniões Anuals do FMI e do Banco Mundial, realizadas em Banguecoque, na Tailândia, as previsões iniciais foram ultrapassadas pelos acontecimentos registados nos mercados globais, sobretudo no setor energético.

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‎"Essa projeção foi feita no início do ano. No final do primeiro trimestre houve alterações substanciais no mercado global, principalmente no mercado da energia, o que fez com que muitas previsões tivessem de ser revistas", afirmou.

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‎O governante salientou que a atualização efetuada pelo FMI vai ao encontro da visão do executivo, embora o Governo mantenha uma perspetiva mais otimista.

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‎"O próprio FMI já alterou a previsão de crescimento para 4,4%, mas nós estamos a prever um crescimento de 5,7% no fecho do ano", disse.

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‎Segundo o responsável, a melhoria resulta não apenas do setor petrolifero, tradicional motor da economia angolana, mas também do dinamismo registado em atividades não ligadas ao petróleo.

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‎*O crescimento da economia não petrolifera está a performar muito acima do previsto e ajuda a sustentar a nossa visão de que o crescimento previsto pelo FMI será ultrapassado", afirmou.

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‎Para o Governo, este desempenho reforça a ideia de que a estratégia de diversificação económica começa a produzir resultados mais visíveis, reduzindo gradualmente a dependência do petróleo como principal fonte de crescimento.

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‎Questionado sobre as perspectivas para 2027, Ottoniel dos Santos explicou que as projeções oficiais ainda estão a ser preparadas no ámbito da elaboração do próximo Orçamento Geral do Estado.

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‎"Será um orçamento realista, nem otimista nem conservador. Iremos utilizar pressupostos alinhados com os Indicadores e previsões internacionalmente aceites", disse. 

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‎O FMI prevé igualmente um agravamento do défice orçamental para 3,3% do PIB em 2027, mas o secretário de Estado considerou que as contas públicas deverão manter uma trajetória relativamente estável.

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‎"Contamos ter um défice muito em linha com aqueles que temos vindo a registar ao longo dos últimos exercicios", afirmou.

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‎No plano monetário, o governante apontou a inflação como uma das áreas onde os resultados mais têm superado as expectativas. Depois de uma taxa de 18% no final de 2025, a inflação caiu para 8,4%, abaixo da meta de 8,7% definida pelo Banco Nacional de Angola (BNA) para este ano.

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‎"A inflação estava prevista fechar 2025 em 18% e neste momento já está em 8,4%", salientou.

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‎Segundo Ottoniel dos Santos, esta evolução poderá abrir caminho à adoção plena de um regime de metas de Inflação pelo banco central.

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‎"Isto pressupõe que, já no próximo ano, o Banco Nacional de Angola possa implementar aquilo que tem vindo a preparar, que é uma gestão baseada numa meta de inflação", afirmou.

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‎O responsável destacou ainda os avanços reconhecidos pelo FMI na gestão do mercado cambial e considerou que a conjugação entre estabilidade dos preços, melhoria das contas externas e crescimento económico cria um quadro favorável para os próximos anos.

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‎"Temos condições para continuar a consolidar a estabilidade macroeconómica e sustentar um crescimento económico consistente", concluiu.

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‎O relatório do FMI sobre a África subsaariana prevê um crescimento de 4,5% para a região este ano, fruto das reformas levadas a cabo nos últimos anos, mas mantendo as vulnerabilidades decorrente dos elevados encargos com a dívida.

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