RESTOS MORTAIS É SEPULTADA POR FAMÍLIA ERRADA DEPOIS DA TROCA DE CADÁVER NA MORGUE DO HOSPITAL CENTRAL DO LUBANGO
Huíla: Os funcionários da morgue do Hospital Central do Lubango, na província da Huíla, entregaram, nesta terça-feira, 27 de Janeiro, o cadáver de uma cidadã que em vida respondia pelo nome de Teresa Maria da Conceição, de 64 anos de idade, a uma família diferente da legítima, situação que gerou constrangimentos, indignação e revolta entre as famílias envolvidas.
Redação: Benguela 7
Por: Laurentino Segunda /Huíla
De acordo com Joaquim Augusto, familiar da malograda cujo óbito decorre no bairro Lucrécia, a família apercebeu-se da troca do cadáver por volta das 15h30, no momento em que se deslocava ao hospital para levar à urna.
O entrevistado explicou que, ao chegarem à morgue e dirigirem-se à gaveta n.º 11, onde supostamente se encontrava o corpo da ente-querida, constataram que o mesmo já não se encontrava no local.
“Procuramos informações junto dos trabalhadores da morgue, mas ninguém soube explicar o sucedido, alegando desconhecer quem teria levado o corpo”, revelou.
Segundo o familiar, após consultarem os registos da morgue, a família conseguiu localizar a outra família envolvida, residente no bairro da Mitcha, que havia levantado o corpo.
Posteriormente, os familiares encontraram-se no Hospital Central do Lubango e apresentaram uma queixa formal ao Serviço de Investigação Criminal (SIC).
“Neste momento, o sentimento é de dor, revolta e indignação perante o ocorrido”, sublinhou.
Por sua vez, Domingos Pascoal Dala, sobrinho da malograda, de 48 anos de idade, cujo óbito ocorreu no bairro da Mitcha, adiantou que, dias antes da morte da tia, o corpo foi encaminhado para o Hospital Central do Lubango e inicialmente colocado na gaveta n.º 18.
“Posteriormente, no domingo, levámos dinheiro para pagar o funcionário responsável pela preparação do corpo, que nos informou que o cadáver seria transferido para a gaveta n.º 11, depois disso regressámos para casa”, explicou.
Realçou que o funeral foi marcado para esta terça-feira (27) e que, ao chegarem à morgue, levantaram o corpo que se encontrava na gaveta indicada, levando-o para casa.
Questionado se a urna foi aberta antes do enterro, Domingos Dala confirmou, esclarecendo que, devido ao momento de comoção e agitação, nenhum familiar conseguiu identificar que o corpo não correspondia ao da sua tia.
“Após o enterro, recebemos uma chamada por volta das 16h00 a informar que o corpo que havíamos levado não pertencia à nossa família.
Regressámos imediatamente ao hospital e constatámos que o corpo da nossa tia ainda se encontrava na morgue”, relatou.
A directora do Hospital Central do Lubango, Lina Antunes, esclareceu que, após averiguação, foi constatado que se tratava de um óbito extra-hospitalar, uma vez que a cidadã já chegou sem vida à unidade sanitária.
“A partir do momento em que se confirma um óbito extra-hospitalar, a responsabilidade da identificação do corpo e da investigação das circunstâncias da morte não é do hospital, mas sim das autoridades competentes, nomeadamente da medicina legal caso haja suspeita de homicídio”, afirmou.
A responsável explicou ainda que os cadáveres que chegam sem vida devem ser encaminhados para a morgue municipal, no Hospital Sanatório, acompanhados por efectivos da Polícia Nacional destacados naquela unidade hospitalar.
Segundo Lina Antunes, foi uma irregularidade o corpo ter sido colocado na morgue do Hospital Central do Lubango, sublinhando que “não devia estar ali”.
A directora realçou igualmente que qualquer pessoa que vá levantar um corpo na morgue, seja ou não familiar, deve proceder obrigatoriamente ao reconhecimento facial do cadáver.
“Neste momento, estamos a identificar os responsáveis pelo ocorrido e será instaurado um processo disciplinar, as famílias também não devem admitir levantar um corpo sem antes fazer o devido reconhecimento”, concluiu.
O porta-voz do Serviço de Investigação Criminal (SIC) na Huíla, inspector Segunda Quitumba, admitiu que a instituição tomou conhecimento da troca de cadáver ocorrida na morgue do Hospital Central do Lubango.
Segundo o porta-voz, já foi formalizada uma participação, que deu entrada no Ministério Público, estando agora a aguardar o pronunciamento do procurador.
Quitumba esclareceu que, logo que o Ministério Público der o devido aval, o Serviço de Investigação Criminal, por intermédio da Medicina Legal, procederá à exumação do corpo, com vista à sua posterior entrega à família legítima.
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